A atenção e suas implicações na aprendizagem
 
     Hoje vou comentar um pouquinho sobre a atenção e sua importância no desenvolvimento da aprendizagem! O nosso cérebro não tem necessidade nem capacidade de processar todas as informações que chegam até ele. Por meio da atenção ele pode dedicar-se às informações importantes, ignorando as que são desnecessárias. Quer um exemplo? Pense na roupa que você está vestindo agora! Seu tecido impressiona nossos receptores táteis todo o tempo, mas de modo geral não percebemos essa estimulação! Contudo, agora que mencionei o fato da “roupa”, não tenho dúvidas que você tornou consciente sua percepção e direcionou o foco da sua atenção para isso!
 
     O sistema nervoso pode fazer a seleção da informação por meio de vários mecanismos! A informação chega ao cérebro por meio de cadeias neuronais cujas estações sinápticas podem ser inibidas, impedindo que ela atinja a região em que se tornaria consciente Existem centros nervosos reguladores do processo, de modo que podemos, conscientemente dirigir a atenção a determinados estímulos enquanto ignoramos outros. Além disso, os próprios receptores sensoriais costumam se adaptar a uma estimulação prolongada, que deixa então de ser percebida!
 
     O cérebro não é um fenômeno unitário e existem diferentes mecanismos pelos quais ela pode se regular. Uma maneira de classificar a atenção é entre atenção reflexa, comandada por estímulos periféricos, e atenção voluntária, cujos mecanismos de controles são centrais.
 
     Existem pelo menos três circuitos nervosos importantes para o fenômeno da atenção! O primeiro mantém os níveis de vigilância ou alerta. O segundo é orientador e desliga o foco da atenção de um ponto e dirige-o em outro sentido, permitindo ainda uma maior discriminação do item a ser observado. O terceiro é o circuito executivo, que mantém a atenção e inibe os distraidores até que o objetivo seja alcançado.
 
     O cérebro é um dispositivo criado ao longo da evolução para observar o ambiente e apreender o que for importante para a sobrevivência do indivíduo ou da espécie. Ele prestará atenção no que for julgado relevante ou com significância.
 
     Terá mais chance de ser considerado como significante e, portanto, alvo da atenção, aquilo que faça sentido no contexto em que vive o indivíduo, que tenha ligações com o que já é conhecido, que atenda a expectativas ou que seja estimulante e agradável!
 
Referência:
Consenza, RM; Guerra, LB. Neurociência e educação: Como o cérebro aprende. Artmed, 2011.
 
Por |2018-04-27T10:45:26+00:003 de agosto de 2016|Aprendizagem, Cognição|0 Comentários

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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