Dificuldades para aprender de um novo idioma e o distúrbio do processamento auditivo
 
 
     Tenho recebido muito no consultório pessoas com queixas relacionadas a aprendizagem de um segundo idioma. As queixas variam desde: “não consigo a entonação!”, “tenho dificuldade com a gramática”, “compreendo bem e tenho dificuldades para manter uma conversação”, “tenho dificuldades nas atividades de escuta” e outras mais.
     É frequente estas pessoas estudarem um outro idioma por anos, fazerem atividades de conversação e experiências de intercâmbio, mas mesmo assim sentem-se inseguras para se expressar e manter um diálogo. Algumas acreditam que é por falta de treino e manter um estudo constante, mas essa dificuldade pode ser devido a dificuldades no processamento auditivo.
     Em alguns outros textos que publiquei aqui no blog, expliquei o que é o processamento auditivo. Basicamente o processamento auditivo envolve, além da percepção sonora, uma capacidade identificação, localização, atenção, análise, memorização e recuperação da informação auditiva. Ademais, está ainda relacionado à maneira pela qual aplicamos nosso conhecimento prévio com vistas a um melhor entendimento da mensagem, e como a informação auditiva é integrada e associada aos estímulos visuais e a outros sensoriais.
     Quando somos “expostos” a um novo idioma somos “expostos” a um novo sistema fonético, a uma nova prosódia e uma nova estrutura sintática, semântica e lexical, não é mesmo? A demanda linguística aumenta e o processamento auditivo adequado é requerido para “processar” esse “bum” de informações novas! E o que acontece quando o processamento auditivo “não está 100 %”? Começamos a ter dificuldades!
     Há outros aspectos que também podem estar relacionados com a dificuldade de aprender um segundo idioma, mas deixarei para explicar em outro texto! Quem quiser ler mais um pouquinho sobre o tema, deixo abaixo sugestões de leitura! A primeira é a minha monografia, ok?
     Até!
Referências:
 
Batista PB, Lemos SMA. Relação entre a autopercepção da aprendizagem do inglês e avaliação das habilidades auditivas, consciência fonológica e inventário fonológico (2009).
Onoda RM, Pereira LD, Guilherme A. Reconhecimento de padrão temporal e escuta dicótica me descendentes de japoneses, falantes e não-falantes da língua japonesa (2006).
Araújo LMM, Feniman MR, Carvalho FRP, Lopes-Herrera AS. Ensino da língua inglesa: contribuições da fonética, fonologia e do processamento auditivo (2010).
Por |2018-04-27T10:34:35+00:0011 de agosto de 2016|Aprendizagem, Processamento Auditivo|0 Comentários

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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