Quando suspeitar que algo não vai bem na aprendizagem?
 
     As dificuldades escolares podem ser decorrentes de diversos motivos, como a falta de interesse, o desempenho global prejudicado, problemas de atenção, dificuldades para compreender o que se pede ou até mesmo para fazer algumas tarefas. Assim, quando falamos sobre problemas de aprendizagem, estamos nos referindo a algo extremamente amplo que envolve causas variadas.
     Ter prontidão para o aprendizado escolar (ou aprendizado formal) significa que a criança está apta e possui habilidades para realizar determinadas tarefas, ou seja, as funções necessárias para a realização dessas tarefas estão maduras o suficiente para que essas atividades sejam desenvolvidas de modo adequado.
     Desta forma, quando os processos envolvidos no desenvolvimento não estão maduros para que os desafios escolares (por mais simples que sejam) possam ser enfrentados e superados com excelência, a criança pode apresentar manifestações comportamentais que sinalizam esse desconforto, como relutância em envolver-se na aprendizagem, resistência para ir à escola, comportamento de oposição em sala de aula ou ao fazer as lições de casa. Em geral, não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizado dos seus colegas e tendem a ficar mais agitadas e/ou distraídas, algo que faz com que os pais passem a ser chamados para reuniões na escola com mais frequência.
     Se essa dificuldade é atendida adequadamente pelo professor ou conta com o apoio especializado de um profissional da saúde, como um psicólogo ou um fonoaudiólogo, por exemplo, tende a ser sanada na grande maioria dos casos. Todavia, no caso da Dislexia, assim como de outros Distúrbios Específicos de Aprendizagem, o acompanhamento deve ser ainda mais intenso para que a criança ou jovem seja capaz de criar estratégias para enfrentar sua dificuldade com mais segurança e eficácia.
     Justamente por conta disso, é essencial que o problema seja identificado o mais precocemente possível, e a criança ou jovem receba a intervenção necessária antes que as consequências emocionais e acadêmicas sejam muito prejudiciais. Além disso, é essencial a participação dos pais neste processo de descoberta: compreender a dificuldade da criança, acolhê-la e buscar o tratamento especializado são os primeiros passos para a superação desse desafio.
Identificando comportamentos sugestivos de dificuldades:
Percepções cotidianas
identificar os dias da semana e os meses do ano (noção de tempo);
reproduzir uma história na sequência correta;
seguir ordens e rotinas;
desenvolver a noção de orientação espacial, provocando confusão com localizações e direções;
inverter os pés ao calçar sapatos ou confundir direita/esquerda, em cima/embaixo (lateralidade);
perceber o esquema corporal;
lidar com padrões de sons que se repetem, como acompanhar o ritmo em uma música;
aprender canções com rima.
Linguagem
demonstrar atraso na aquisição da fala;
persistir em uma fala infantilizada;
trocar sons ao pronunciar determinadas palavras;
demonstrar dificuldades para nomear objetos;
utilizar expressões amplas: “lá naquele lugar”;
usar os substitutos “coisa”, “negócio”, “treco” etc.;
substituir palavras semanticamente parecidas: falar cadeira em vez de poltrona.
 
Atividades corporais
dificuldade para amarrar cadarços de sapato (Coordenação Motora Ampla);
falta de precisão para agarrar objetos arremessados no ar (Coordenação Motora Fina).
Situações que envolvem leitura e escrita
assistir a um filme com legenda;
aprender um novo idioma.
 
 
Fonte:
Conversando com os pais sobre como lidar com a Dislexia e outros transtornos específicos de aprendizagem. Instituto ABCD.
Por |2018-04-26T09:54:16+00:0017 de agosto de 2016|Aprendizagem, Cognição, Linguagem|0 Comentários

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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