4 maneiras de adquirir conhecimento durante o sono
 
 
 
Li recentemente uma matéria na revista Galileu e achei muito válido compartilhar na íntegra o texto do dia 01/12/2016. Todos os créditos e informações são do autor Bruno Vaiano!
 
Segue abaixo o texto:
Heródoto era geógrafo, historiador e quase uma espécie de jornalista de guerra da Grécia Antiga. É dele o relato das Guerras Médicas que deu origem à representação da Batalha das Termópilas do filme 300, que opôs gregos e persas. Em certo ponto de sua principal obra — intitulada apenas História, e muito mais longa e completa que o filme — ele conta as sonecas premonitórias do rei Xerxes (Rodrigo Santoro, alguém?), que recebia recadinhos e instruções dos deuses em forma de sonhos e visões. Entre as sugestões do firmamento, invadir a Grécia e dominar o mundo não eram raros.
Tudo isso para dizer que, bem, não é esse nível de sabedoria que você pode adquirir dormindo no alvorecer do século 21 — ninguém terá prenúncios de glória militar tão cedo. Mas há uma pequena lista de coisas com que o sono pode te ajudar, e o site IFLScience listou algumas delas. Confira: 
1 – Você pode aprender palavras estrangeira
Em alemão, caixa de fósforos é “Streichholzschachtel”. Se a caixa for pequena, vira “Streichholzschächtelchen”. Pois é, ainda bem que pesquisadores da Suíça, ambos piedosos falantes fluentes de alemão que querem facilitar sua vida, afirmam em artigo publicado no períodico científico Cerebral Cortex, de Oxford, que ouvir várias vezes uma palavra estrangeira aprendida em estado de vigília durante o sono faz seu cérebro memorizá-la sem você perceber nem acordar. 
Os testes, claro, envolveram tocar palavras aprendidas bem baixinho com um gravador conforme um grupo de voluntários recém-iniciado a uma língua estrangeira tirava um cochilo. 
Para garantir que ninguém tivesse simplesmente ficado acordado e ouvido as palavras durante o suposto “sono”, eles montaram um grupo de controle que ouviu as palavras acordado. O resultado? Os despertos foram muito pior que os dorminhocos nas provas. 
2 – Você pode aprender a tocar uma música
O mais legal é que a técnica de repetição acima não dá certo só com palavras, que carregam significado, mas também com melodias. Em um experimento que está registrado no periódico científico Nature Neuroscience, voluntários aprenderam melodias básicas de violão no estilo Guitar Hero — só colocando os dedos no lugar certo, sem teoria musical. Os que foram dormir depois e ouviram a melodia se repetindo durante o sono acordaram tocando bem melhor que os que não ouviram nada.
3 – Você pode se lembrar de onde deixou alguma coisa
Esqueça São Longuinho — pulinhos não são nada perto de um ronco. Nesta pesquisa, publicada no The Journal of Neuroscience, voluntários eram instruídos a posicionar um objeto virtual qualquer em algum ponto aleatório de uma tela de computador. Quando o local era escolhido, tocava um som correspondente.
Depois, todos iam cair duas vezes nos braços de Morfeu. Em uma, o som correspondente ao lugar foi tocado durante o sono. Na outra, não. A conclusão, você já sabe, é que quem ouviu o som dormindo se lembrou com mais facilidade do local em que havia deixado o objeto. 
4 – Você pode proteger memórias especiais 
Em um experimento parecido, publicado aqui, cientistas descobriram que a associação entre sons e objetos descoberta acima pode ser usada para dar um olé no sistema de seleção de memórias do seu cérebro e fazer ele guardar com mais cuidadas coisas que você considera importantes e quer que sejam lembradas em detalhe. 
Em uma tela similar à do experimento acima, pessoas posicionavam objetos identificados, como um sino ou um gato, em um determinado local. Quando colocados, eles emitiam seus próprios sons — o gato miava e o sino tocava. Pessoas expostas a esses sons durante a noite, como você já deve imaginar, se lembraram com mais facilidade deles. 
Em outras palavras, não custa nada ouvir a música que marcou seu primeiro encontro durante a noite. Pode te ajudar a nunca esquecer aquele dia. 
Por |2018-04-25T15:13:20+00:0020 de dezembro de 2016|Aprendizagem|0 Comentários

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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