Grande plasticidade cerebral até os 6 anos

Profissionais da saúde que estudam sobre o desenvolvimento neurobiológico infantil são unânimes em afirmar, com base nas evidências científicas produzidas, que os primeiros seis anos de vida de uma criança são cruciais para o desenvolvimento da linguagem, devido ao fenômeno descrito como “plasticidade cerebral”, ou seja, a capacidade do cérebro de rapidamente se adaptar a novas demandas, tornando o indivíduo capaz de responder, de forma cada vez mais precisa e refinada, aos estímulos do ambiente.

O fenômeno da plasticidade do cérebro merece atenção especial quanto ao estudo do desenvolvimento da linguagem. A plasticidade está no auge nos primeiros anos de vida, mas o cérebro manterá algum grau de plasticidade durante toda a vida, sendo bastante complexa a associação entre plasticidade e idade. Ao que parece, a idade tomada isoladamente não pode ser considerada como preditora de maior ou menor capacidade de adaptação do cérebro às mudanças, pois essa capacidade dependerá das experiências que o indivíduo colecionar ao longo da vida.

No entanto, fonoaudiólogos por exemplo chamam a atenção para um aspecto muito importante: uma vez que o cérebro é muito plástico nos primeiros anos de vida (primeira infância), ele será mais vulnerável a privações sofridas neste período do que em qualquer outro período.

Assim, crianças expostas a uma menor quantidade e qualidade (variedade) de estímulos linguísticos tendem a manifestar atrasos no desenvolvimento de vários marcadores importantes ao desenvolvimento da linguagem (aspectos fonológicos, morfossintáticos, semânticos, pragmáticos, lexicais, etc), que perdurarão por todas as etapas posteriores. A aquisição do vocabulário tem sido tomada como um exemplo típico desse processo. Pesquisas apontam para o vocabulário restrito nessa fase da vida como muito difícil de ser superado, sobretudo se acreditarmos que as condições ambientais tendem a se manter desfavoráveis, quando levadas em consideração as dinâmicas das relações e a realidade socioeconômica das famílias.

Nesse sentido, os estudos mostram que crianças que recebem os melhores estímulos linguísticos e cognitivos até os seis anos, período crítico para o desenvolvimento da comunicação, terão, como consequência, melhores condições de aprender e desenvolver novas habilidades e competências nas etapas posteriores do desenvolvimento. Isso porque, ainda com base em estudos científicos, passa a valer a ideia de que “habilidade gera habilidade”, o que irá justificar o processo contínuo de desenvolvimento humano, durante todos os ciclos de vida.

 

Referência:

Queiroga, Gomes, Silva. Desenvolvimento da comunicação humana nos diferentes ciclos de vida. Pró-Fono, 2014.

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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