Processamento visual

Nos últimos anos sempre abordei no blog a importância do processamento auditivo na realização de simples tarefas diárias e da sua extrema importância para a aprendizagem. Hoje quero que você conheça e se informe um pouco mais sobre o processamento visual. Então vamos lá?

O processamento de informações visuais é sustentado por uma complexa rede neural, que abrange os fotorreceptores da retina e estruturas do tronco cerebral (responsáveis pela acuidade visual e funções oculomotoras); os nervos ópticos; os colículos superiores (os quais integram uma segunda via visual que provê informações sobre movimento e localização); e o córtex occipital, onde estão alocadas funções de discriminação e detecção de detalhes.

Na percepção estão envolvidos processos do tipo bottom-up (de baixo para cima), nos quais componentes visuais são automaticamente integrados de forma a se obter um todo visual coerente, do tipo top-down (de cima para baixo), que ocorrem quando o indivíduo se detém de forma controlada a organizar, interpretar e relacionar informações visuais novas àquelas já consolidadas.

Como no processamento auditivo, no processamento visual há um sistema de habilidades visuoespaciais hierarquicamente organizadas, incluindo cognição visual, memória visual, reconhecimento de padrões visuais, rastreamento visual, atenção visuoespacial, controle oculomotor; percepção dos campos visuais e acuidade visual. Desse modo, a percepção de profundidade, que nos permite estimar a distância relativa dos objetos no espaço com base no uso de várias pistas visuais como sombreamento, forma ou contorno, ocorre de forma automática. A atenção visuoespacial (habilidade de engajar a atenção a partes dos estímulos visuais por meio de rastreamento visual) seria um exemplo de processo do tipo mais controlado.

Hoje há procedimentos de avaliação da percepção visual que enfatizam as capacidades de análise e síntese perceptual. O fonoaudiólogo pode utilizar provas que avaliam estas capacidades. Segundo resolução de 2017 entre o Conselho Federal de Psicologia e Conselho Federal de Fonoaudiologia, o fonoaudiólogo pode utilizar as provas que estão presentes no instrumento de avaliação Neupsilin- Inf e o Neupsilin. Estes instrumentos auxiliam o fonoaudiólogo no rastreio de dificuldades quanto a constância perceptiva, que consiste na estabilidade da percepção apesar das mudanças na apresentação dos estímulos. Tudo isso contribui para um melhor diagnóstico e é claro, um melhor prognostico!

 

Por |2018-10-28T21:18:40+00:0030 de outubro de 2018|Processamento visual|0 Comentários

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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