Dislexia e o ingresso na escola

 

Uma vez diagnosticado o transtorno de aprendizagem, a escola deverá fazer uma reunião inicial com os pais e com o aluno para juntos discutirem qual é a melhor estratégia para o caso e quais adaptações deverão ser feitas.

Lembro que a capacidade cognitiva de quem tem dislexia, ou outro transtorno de aprendizagem, não é afetada, porém há métodos pedagógicos que podem auxiliar na aprendizagem dos estudantes e, muitas vezes, o próprio aluno já identificou estratégias próprias para lidar com as demandas diárias, que também devem ser consideradas.

Não há cura para os transtornos de aprendizagem, mas tratamento. Isso significa que as pessoas com dislexia deverão enfrentar continuamente os desafios impostos por essa condição. Na vida acadêmica, área de grande impacto desses transtornos, é papel fundamental que a escola auxilie seus alunos disléxicos a desenvolver ao máximo seu potencial. Durante os períodos de avaliação escolar, recomendo as seguintes adaptações:

a) Ledor– Profissional que, se necessário, poderá ler as questões das provas para o aluno.

b) Transcritor– Profissional que auxilie, se necessário, a transcrever a redação e as questões discursivas.

c) Maior tempo de prova– Recomendo que os estudantes com transtornos de aprendizagem tenham, ao menos, 25% a mais de tempo para realização da prova.

d) Maneiras alternativas de avaliações– Prova oral, trabalhos em grupo, seminários e etc.

e) Correção diferenciada- A ênfase da correção das provas dos disléxicos deve privilegiar o conteúdo e seu desenvolvimento argumentativo, sendo o quesito referente aos erros ortográficos o último a ser observado.

Além das adaptações nas avaliações, é necessário um monitoramento contínuo do psicólogo ou psicopedagogo da escola e do especialista da saúde que acompanha o estudante fora da escola. É usual que profissionais da educação e da saúde que conhecem e acompanham o disléxico mantenham contato, com o intuito de compartilharem informações e trocarem experiências que favoreçam e viabilizem o desenvolvimento de estratégias individualizadas, bem como a realização/ orientação de adaptações que permitam ao disléxico desenvolver adequadamente suas competências.

Fonte: Instituto ABCD. Guia para escolas e universidades sobre o aluno com dislexia e outros transtornos de aprendizagem.

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

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