Habilidade comunicativa que requer atuação do hemisfério direito – Compreensão e produção de narrativas

 

As habilidades pragmáticas e de processamento de inferências são também testadas em tarefas de compreensão e produção de narrativas. Pesquisas constataram que pacientes com lesão no hemisfério direito produzem narrativas semelhantes às formuladas por indivíduos normais no que concerne à quantidade de palavras e às pistas lexicais e semânticas. Entretanto, essas pessoas com alteração neurológica apresentam algumas dificuldades com aspectos ligados ao processamento de compreensão dependente do contexto, como em textos de humor, sarcasmo e ironia. Além disso, não desempenham bem tarefas de encontrar a moral em fábulas, pois, para tanto, é necessário sintetizarem e interpretarem informações implícitas no discurso.

O estudo do pesquisador McDonald de 2000, confirmaram o bom desempenho encontrado em estudos anteriores, uma vez que os indivíduos lesados no hemisfério direito realizaram tarefas pragmáticas e de compreensão e produção de narrativas adequadamente. Entretanto, o autor destaca uma dificuldade significativa dessas pessoas em compreenderem a perspectiva de seus interlocutores nos discursos narrativos. Tal dificuldade é explicada pelos pesquisadores da teoria da mente, a qual abrange o estudo da capacidade de os interlocutores compreenderem os estados mentais dos outros e de si mesmos. Assim, todos os indivíduos, ao interagirem em diferentes contextos comunicativos, devem usar sua habilidade de entender a existência dos sentimentos, das emoções e das intenções em discursos orais e escritos, podendo predizer suas próprias ações e as dos outros. Nota-se, então, que tal capacidade está presente na relação indivíduo-outro e nos atos mentais internos (processos de metacognição e metarrepresentação).

Outros estudos confirmaram também os achados McDonald (2000) em que constataram também que indivíduos com lesão no hemisfério direito não realizam inferências complexas em pequenas histórias. Sabe-se, por meio desses estudos, que a combinação de apresentações auditiva e ortográfica de narrativas facilita a execução da tarefa, enquanto o emprego de apenas uma dessas modalidades prejudicaria tal desempenho.

Referências:

McDonald S. Exploring the cognitive basis of right-hemisphere pragmatic language disorders. Brain and Language 2000; 75:82-107.

Ortiz KZ. Distúrbios neurológicos adquiridos. Manole, 2ª edição, 2010.

 

 

Por |2018-11-17T19:13:17+00:0019 de novembro de 2018|Cognição, Linguagem, Neurociência, Neuropsicologia|0 Comentários

About the Author:

Graduada em Fonoaudiologia (2009), mestre (2011) e doutora (2016) em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da UFMG. Realizou cursos no Centre de Linguistique Appliquée (Université de Franche-Comté) – França (2013). Participa anualmente de congressos internacionais, sendo o de 2015 em Monterey na Califórnia/EUA. Publicou estudos importantes nos periódicos Journal of Communication Disorders e Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Atualmente participa do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Tem experiência clínica nas áreas de audiologia e linguagem, com ênfase em processamento auditivo, treinamento auditivo, distúrbios de linguagem e aprendizagem. Currículo completo: http://lattes.cnpq.br/1978022333477136

Deixe um Comentário

Este site usa o plugin Akismet para reduzir spam. Você pode aprender aqui como seu comentario é processado antes de ser publicado.

MENU

INSCREVA-SE

Receba automaticamente novos posts por e-mail

Nome e Sobrenome:

Endereço de e-mail

Facebook
Facebook
PINTEREST
PINTEREST
INSTAGRAM
Whatsapp