Como avaliar a consciência fonológica?

 

Ficou bem evidente no texto anterior do blog a importância da consciência fonológica para a aquisição da leitura e da escrita. Deste modo, avaliar essa habilidade é fundamental frente a uma queixa de dificuldade na aquisição da linguagem escrita ou, antes ainda, na Educação Infantil, quando a presença de alterações na linguagem oral podem levar à suspeita de uma alteração no processamento fonológico.

As pesquisas indicam os déficits em habilidades de processamento fonológico como marcadores (endofenótipos) dos transtornos da leitura e da escrita no nível de (de)codificação. Os déficits encontrados devem ser analisados pelo fonoaudiólogo à luz do conhecimento de que as informações fonológicas recrutadas para essas habilidades são as mesmas que foram organizadas categoricamente ao longo do desenvolvimento auditivo e da linguagem oral.

Em vista disso, a identificação precoce de alterações na consciência fonológica, pode possibilitar uma intervenção dirigida a desenvolver tais habilidades, prevenindo ou minimizando dificuldades futuras.

Há vários instrumentos de avaliação de consciência fonológica que auxiliam o fonoaudiólogo no diagnóstico preciso. Muitos testes utilizam somente a produção oral, então hoje selecionei para discutir no blog a “Prova de consciência fonológica por escolha de figuras” que além de dar as instruções oralmente, a criança avaliada tem o apoio visual. A “prova de consciência fonológica por escolha de figuras apresenta uma grande vantagem em relação a outras provas pois, ao não requer verbalização para resposta, permite avaliar a consciência fonológica em crianças que não falam ou que apresentam alterações de fala o que pode ocorrer por exemplo, em quadros de paralisia cerebral, autismo ou outros transtornos.

A “Prova de consciência fonológica por escolha de figuras (PCFF)”, elaborada por Capovilla e Seabra em 2012, baseia-se na “Prova de consciência fonológica por produção oral” elaborada por Capovilla e Capovila, 2000 e Seabra e Capovilla, 2012b.

A PCFF é composta por nove subtestes, sendo cada um deles composto por dois itens de treino e cinco itens de teste. Em cada item há cinco desenhos e a criança deve escolher, dentre eles, aquele que corresponde à palavra pronunciada pelo avaliador.

A PCFF avalia rima, aliteração, adição silábica, adição fonêmica, subtração silábica, subtração fonêmica, transposição silábica, transposição fonêmica e trocadilho.

Há normalização da pontuação para crianças em fase de alfabetização (2º ano ao 5º ano), além de que a PCFF pode ser aplicada por fonoaudiólogos, psicólogos, neuropsicólogos, pedagogos e psicopedagogos.

 

 

Orientações e normalizações da PCFF podem ser obtidas no livro: “Linguagem oral – Avaliação neuropsicológica cognitiva” das autoras Alessandra Seabra e Natália Dias (2012). O caderno de aplicação completo, contendo a folha de instrução, folha de treino e folha de aplicação deve ser adquirido em www.memnon.com.br.