Você sabe o que é “plasticidade de modalidade cruzada”?

É incrível a habilidade de nosso cérebro de associar, relacionar, identificar, substituir, interpretar informações que chegam de diversas modalidades sensoriais, muitas vezes de modo aparentemente equivocado! Podemos reagir frente ao odor, ativando regiões respectivas à emoção, às imagens visuais em relação às sensações táteis, aos sons quando estimuladas visualmente! Então plasticidade de modalidade cruzada representa “uma modalidade sensorial ativando outra relacionada”.

Podemos considerar que cada região do córtex não responde apenas a seus terminais periféricos correspondentes. Contamos com a incrível habilidade do cérebro em “rearquitetar-se”, estabelecendo novas conexões, de modo a empreender impressionante variedade de plasticidade cruzada.

Em um simples experimento, pesquisadores descreveram como uma entrada auditiva pode modular ou mesmo determinar sensação tátil. Indivíduos foram solicitados a esfregar suas mãos enquanto sons correspondentes ao movimento lhes eram apresentados. Quando o sinal teve intensidade aumentada, os sujeitos sentiram a pele de suas mãos tornando-se secas. Este estudo é uma mostra interessante da integração somatosensorial – auditiva.

Deste modo, com base em diversos estudos sobre a capacidade plástica de nossas estruturas do sistema nervoso central, fonoaudiólogos e demais profissionais devem debruçar-se na identificação de meios que possam alicerçar e proporcionar plasticidade, a partir de sua intervenção!!

 

Referência: Marchesan IQ, Silva HJ, Tomé MC. Tratado das espacialidades em fonoaudiologia.