Otite média recorrente é um indicador de risco para perda auditiva!

A audição é extremamente importante para a aquisição da comunicação oral. A integridade anatômica e funcional do sistema auditivo periférico e central e a exposição a experiências auditivas constituem um pré requisito para a aquisição e desenvolvimento normal da linguagem.

A deficiência auditiva é uma das alterações congênitas mais frequentes em recém-nascidos, ocorrendo em aproximadamente 3:1000 nascimentos. Estudos contribuíram para evidenciar cientificamente a importância da intervenção precoce. Na tentativa de diminuir a idade média do diagnóstico auditivo na infância, a Triagem Auditiva Neonatal Universal (Teste da Orelhinha) passou a ser recomendada. A partir daí, crianças muito pequenas têm sido encaminhadas para a avaliação audiológica, devido a falha na triagem auditiva realizada ao nascimento ou a presença de risco para alterações auditivas periféricas ou centrais.

Os principais indicadores de risco para perda auditiva periférica e central são:

  • Antecedentes familiares (consanguinidade materna; disacusia neurossensorial hereditária).
  • Permanência em UTI neonatal por mais de 5 dias.
  • Infecções congênitas (rubéola, sífilis, citomegalovírus, herpes, AIDS, toxoplasmose).
  • Malformações craniofaciais incluindo as de pavilhão auditivo e meato acústico externo.
  • Peso ao nascimento menor que 1500 gramas.
  • Medicação ototóxica.
  • Meningite bacteriana e viral.
  • Ventilação mecânica.
  • Asfixia.
  • Síndromes.
  • Alcoolismo materno ou uso de substâncias psicotrópicas na gestação.
  • Hemorragia peri-intraventricular.
  • Convulsões neonatais.
  • Doenças neurodegenerativas.
  • Otite média recorrente ou persistente para mais de 3 meses.
  • Suspeita dos familiares de atraso de desenvolvimento de fala, linguagem e audição.
  • Traumatismo craniano com perda de consciência ou fratura craniana.

Na avaliação audiológica de crianças, deve-se estabelecer se a criança tem perda auditiva, o tipo e grau da perda e a configuração do audiograma. A primeira etapa da avaliação constitui na identificação dos riscos, realizada por anamnese com os familiares. Em crianças com risco de perda auditiva adquirida e/ou progressiva, recomendam-se avaliações periódicas durante os três primeiros anos de vida.

Referência: Marchesan et al. Tratado das especialidades em fonoaudiologia. Editora Roca, 2014.