Habilidade comunicativa que requer atuação do hemisfério direito – Inferências

Entre as funções comunicativas específicas do hemisfério direito, está o processamento de inferências, necessário na compreensão de narrativas, de sentenças metafóricas, de atos de fala indiretos e da compreensão e expressão prosódicas.

As inferências consistem em representações mentais que o leitor ou ouvinte constrói na compreensão de um texto ou discurso, a partir da aplicação de seus próprios conhecimentos às indicações explícitas da mensagem. As informações explícitas, conectadas aos conhecimentos prévios relevantes ao entendimento do conteúdo linguístico, induzem à produção de inferências, ou seja, à compreensão de informações implícitas, por relação ou associação causal, temporal, espacial, semântica ou pragmática. Todos os tipos de discurso não literais, como humor, metáforas (figura de linguagem na qual o significado de uma palavra ou frase é substituído por outro significado conotativamente semelhante) e atos de fala indiretos (intenções expressas indiretamente na mensagem verbal), requerem o processamento de inferências contextuais.

Desse modo, quando o interlocutor fala que uma mulher caiu do décimo andar de um edifício, o ouvinte tente a inferir que ela se machucou muito ou que, até mesmo, morreu. No caso das metáforas, se um ônibus é considerado uma tartaruga, infere-se que ele seja bastante lento. Nos atos de fala indiretos, se uma mulher fala ao seu marido que o carro está demasiadamente sujo, faz-se a inferência de que ela esteja sutilmente pedindo que ele lave ou mande lavar o veículo!

Referência: Ortiz KZ. Distúrbios neurológicos adquiridos. Manole, 2ª edição, 2010.